domingo, 25 de setembro de 2011

Herança da Guerra Fria


Guerra Fria já era. E com a bola rival ganham os EUA







Estreia da Rússia em mundiais terminou com uma derrota frente ao maior rival político da história. São duas selecções frágeis, mas há quem diga que o potencial é muito grande




Os protagonistas são outros. No râguebi não há espaço para nomes como Estaline, Brejnev, Kennedy ou Nixon. A crise dos mísseis faz parte do passado e não há uma batalha geopolítica pelos países em vias de desenvolvimento. Ali, no Mundial da Nova Zelândia, são eles os países em desenvolvimento. De um lado está uma equipa norte-americana com presenças assíduas na grande prova mas que não consegue ultrapassar a fase de grupos. Do outro, uma selecção estreante que ocupa o 19.o lugar do ranking.

Ao contrário do que acontece noutros desportos, o ranking não dá espaço para surpresas. As 20 selecções apuradas são as 20 primeiras do ranking (azar para Portugal, que é 21.º). Para carimbar o apuramento para o outro lado do mundo, os russos beneficiaram de um grande crescimento nos últimos quatro anos, que culminou numa ascensão do 24.o para o 19.º posto da tabela.

Rússia e Estados Unidos têm hoje em dia muito mais a aproximá-los que a diferenciá-los. Na antiga república soviética, o crescimento da modalidade está a atingir proporções surpreendentes. Como no futebol, há muito dinheiro para investir e o processo passa por atrair grandes nomes do râguebi ao campeonato russo, criado em 2005. Na selecção, o adjunto é um antigo internacional inglês e o director técnico jogou pelo País de Gales. À semelhança do que acontecia na União Soviética, aqui também existe um plano quinquenal. "A qualificação para o Mundial-2011 foi muito significativo para nós. Temos uma estratégia detalhada para cinco anos e para já estamos a fazer um excelente trabalho e a corresponder a todas as expectativas", explicou Howard Thomas, vice-presidente da federação.

No lado oposto do mundo, os Estados Unidos também estão a apostar num crescimento sustentado. Num país com uma cultura desportiva muito forte mas com as grandes ligas a dominarem todas as atenções, o râguebi está a conseguir quebrar algumas barreiras, angariando patrocinadores importantes e procurando seduzir os jovens. Para Peter Thoburn, antigo seleccionador, é essa a chave do crescimento: sensibilizar os atletas desde novos para aquela modalidade e moldá-los da mesma forma que se moldam jogadores de basebol ou futebol americano.

A teoria do crescimento sustentado é bonita e deixa as duas selecções a sonhar, mas 2011 é uma data ainda muito precoce. Na Nova Zelândia, os Estados Unidos confirmaram o favoritismo e venceram por 13-6, naquela que foi apenas a terceira vitória em 19 jogos. Para os russos a derrota não foi desmoralizadora, até porque a desvantagem de apenas sete pontos garantiu um ponto de bónus, atribuído às equipas que perdem por sete ou menos pontos.

Daqui para a frente, a prestação de ambas as selecções deverá reduzir-se ao aproveitar máximo de cada jogo. Austrália, Irlanda e Itália são as grandes favoritas e estão fora do alcance de duas selecções que, apesar de promissoras, continuam com passos para dar. A ambição, no entanto, promete inverter a situação, garante Thomas. "É um desafio. Queremos ser uma selecção do top-12 em 2015 e em 2019, no Mundial do Japão, queremos ter a capacidade de atingir os quartos-de-final. Se conseguirmos ter sucesso na identificação de novos talentos, equipas como a Escócia e Itália podem estar a olhar por cima dos ombros daqui a dez anos."







Herança da Guerra Fria




No meio de um bosque, nas imediações da pequena cidade de Tessin, no norte da Alemanha, acaba de ser aberto um dos segredos mais bem guardados da Guerra Fria, a disputa estratégica travada entre americanos e russos do fim da Segunda Guerra Mundial (1945) até a extinção da União Soviética (1991). Trata-se de um bunker de três mil metros quadrados e dois andares subterrâneos projetado para sediar o comando das operações navais da antiga Alemanha Oriental assim que eclodisse uma guerra nuclear. Com capacidade para 300 militares, o abrigo se localiza a cerca de 30 quilômetros da parte do Mar Báltico onde ficava estacionada a frota do país, alvo potencial de ataque em caso de eclosão de um conflito atômico mundial. Construído entre 1969 e 1970, o complexo foi mantido pronto para uso por uma equipe permanente de 69 homens até o final de 1990, quando ocorreu a reunificação da Alemanha. “Ele está totalmente original”, diz o alemão Claus Funke, 64 anos, responsável pela abertura do bunker. “Nada foi mudado, adicionado ou removido.” 

Especialista nesse tipo de construção, Funke manteve no lugar até as rosas vermelhas de plástico que enfeitavam a central de comunicação, que fora montada com tecnologia de ponta numa época em que a telefonia do resto do país era precária (leia quadro na pág. 112). A abertura do bunker, porém, não foi um processo fácil. A entrada do complexo, camuflada entre árvores, havia sido vedada com concreto pelo Exército da Alemanha reunificada em 1993. Catorze anos depois, toda a área foi vendida para um empresário interessado apenas em cultivar a terra. Funke, por sua vez, arrendou o bunker desse empresário, com a intenção de abri-lo ao público por três meses, durante o verão europeu. Passou 26 dias quebrando concreto até acessar a entrada do abrigo e chegar aos primeiros degraus de uma escadaria que desce 12 metros abaixo do nível do solo. Na empreitada de reabertura, Funke contou com a ajuda de profissionais que prestaram serviço no abrigo e, nos tempos da Guerra Fria, não puderam contar nem à família o que faziam ou onde trabalhavam.
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No final da escadaria, eles precisaram abrir uma sequência de cinco espessas portas de aço para entrar no primeiro subsolo do complexo, que é todo compartimentado. Nele estão as peças fundamentais para a atividade militar, como as salas de comando e de comunicação. No subsolo inferior fica a maior parte dos equipamentos que permitiriam o funcionamento autônomo do bunker, como reservatórios de ar e geradores de energia. No complexo eles encontraram intactos todos os planos de resgate dos comandantes militares, para que assumissem seus postos no bunker assim que eclodisse um conflito nuclear.

Entre os documentos encontrados por Funke e sua equipe também está o projeto de expansão do abrigo, com obras previstas para o período 1990-1994. A reunificação da Alemanha e o fim da Guerra Fria reduziram os papéis a registros do passado. “Essa é uma parte importante da história da Alemanha”, afirma Funke, ao justificar sua iniciativa de trazer à tona essa herança da Guerra Fria. “Na antiga Alemanha Oriental existem apenas quatro bunkers antiatômicos. Um virou museu, o outro está em ruínas e o terceiro foi lacrado e jamais reaberto.” No final de outubro, quando acaba o arrendamento feito por Funke, o bunker de Tessin será fechado de novo. Seu destino, por enquanto, é uma incógnita.
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Museu expõe o maior Satélite espião usado 

pelo EUA na Guerra Fria

KH-9 tem 18m de comprimento e 3 de largura.
Usado entre 1971 e 1986 , tirava fotos em forma de filme







Presidente da Russia alerta a uma nova 

Guerra fria



O presidente da Rússia afirma que uma nova Guerra Fria pode ser desencadeada no planeta porque o país pode deixar o tratado de limitação de armas nucleares. Isto aconteceria caso Moscou não chegue a um acordo sobre o escudo antimísseis dos EUA.







Como nos tempos da Guerra Fria

EUA treinam policiais e bombeiros contra novo inimigo

Essa ressalva não é nada tranqüilizadora... Depois que o terrorismo conseguiu o que parecia impensável - atacar a superpotência em seu próprio território e espalhar o "vírus do medo" entre os americanos - as autoridades em Washington já trabalham com cenários ainda mais apocalípticos: ataques nucleares, por exemplo. De Nova York, Heloísa Villela mostra que um centro de treinamento da época da guerra fria agora ensina a combater o novo inimigo americano.


Uma bomba explode na usina nuclear. A polícia prende os terroristas e liberta os reféns. Bombeiros especializados se preocupam com a fumaça radioativa.


O exercício é rotina neste centro, no deserto de Nevada. Nos últimos dois anos, 1.200 policiais e bombeiros americanos treinaram aqui, aprendendo como reagir em caso de um ataque terrorista. O centro já foi usado para testar bombas atômicas.


Kurt Wargo perdeu muitos amigos no World Trade Center. O ex-capitão da polícia de Nova Iorque hoje é instrutor em Nevada. E diz que as manobras, agora, têm outro significado. O médico russo Igor Shafhid tratou vítimas do desastre de Chernobyl. Ele alerta:

"Os americanos devem se preparar para todo tipo de ataque. Nuclear, biológico ou de armas químicas." Forças de operações especiais também podem aprender, aqui, a perseguir terroristas escondidos em túneis e cavernas.

Uma aula que deveria ser obrigatória para todos os soldados encarregados de encontrar, e prender Osama Bin Laden no Afeganistão.

Com o fim da guerra fria, o centro de Nevada quase fechou. Há três anos, o governo americano decidiu reativar as instalações. E agora, depois dos ataques do dia onze, já está pensando em criar um centro nacional, ainda maior, só para treinamento de técnicas de combate ao terrorismo. 




A imperdível volta de Fernando Morais a Cuba



Aos 65 anos, o escritor mineiro atinge seu melhor nível formal, numa narrativa cinematográfica – além de impagáveis incursões ao humor, como na caracterização de García Márquez como dublê de diplomata internacional


É uma leitura fascinante a que nos oferece o último livro de Fernando Morais, Os Últimos Soldados da Guerra Fria (Companhia das Letras).
A pretexto de retratar a infiltração de agentes castristas entre as organizações terroristas mantidas, em Miami, por cubanos no exílio, o livro oferece um saboroso painel humano e uma introdução realista ao complicado xadrez geopolítico jogado por Cuba e EUA nos estertores da Guerra Fria.
O resultado é um exame aguçado das relações entre o país caribenho e a então maior potência mundial durante o chamado “período especial”, nos anos 90 – em que, ante o colapso soviético, Cuba teve de se reinventar como atração turística internacional para salvar sua economia.
Apoiado em farta documentação, a obra reconstitui a escalada da violência anti-castrista, baseada em violação sistemática do espaço aéreo cubano (para fins propagandísticos ou por mera provocação) e em ataques terroristas a alvos turísticos, visando espalhar o pânico e minar o fluxo de capital estrangeiro na ilha – tudo sob o silêncio cúmplice dos EUA. (Visto sob a perspectiva histórica pós-11 de setembro, o alerta de Fidel Castro a Clinton de que tais ataques tinham de ser combatidos, pois no futuro qualquer país poderia ser vítima deles, soa não só premonitório, mas como mais uma evidência da leniência dos EUA com sua própria segurança interna).



Abrigo nuclear de Kennedy guarda história da Guerra Fria

Vizinhos de bunker acreditam que local tem potencial para pôr a ilhota artificial de Peanut Island, perto de Palm Beach, no mapa



Um abrigo nuclear era algo necessário nas décadas de 1950 e 1960. O presidente Jonh F.Kennedy, que enfrentava na época uma série de confrontos com os soviéticos, chegou até mesmo a recomendar um abrigo para todos os americanos "o mais rápido possível", em um discurso de outubro de 1961.

                                                                           Embaixadores russo                                                                                                                                                          




Mais de 20 anos se passaram após a Guerra Fria e o mundo está mudando. A bipolaridade existente na época determinou o funcionamento do sistema internacional, com Moscou e Washington buscando acordos diretos entre si sobre muitas questões internacionais. Quando as duas capitais não chegavam a um acordo, a ONU também não podia fazer nada.

Agora, a Organização das Nações Unidas é um verdadeiro sustentáculo das relações internacionais e de uma cooperação multilateral em pé de igualdade entre todos os Estados. A ONU tem uma legitimidade única e autoridade necessária para reagir adequadamente à diversidade de riscos e ameaças da atualidade. Como qualquer governo de um Estado, a Organização só pode ser eficaz em um determinado ambiente legal. Por isso, o princípio da primazia do Direito assume especial relevância na conjuntura atual das relações internacionais.

Estados Unidos e Irão entram numa nova guerra fria


O governo norte-americano deteve um alegado espião iraniano que planeava assassinar o embaixador saudita em Washington.
Teerão assegura que são acusações completamente falsas e carentes de fundamento.
Para falar disso, euronews contactou Ali Alfoneh , investigador e analista político que está em Washington e responde a algumas questões.
euronews – Supondo que as acusações são verdadeiras, que fação da República Islâmica ia querer praticar um ato destes? E será que têm uma ideia das consequências que teria tal assassinato?
Ali Alfoneh – Pessoalmente, não acho que o Guia Supremo do Irão esteja por trás da conspiração. O Ayatolá Khamenei é demasiado prudente para organizar uma coisa assim. Ao que parece, os Guardiães da Revolução, concretamente Sepah Qods (uma ala externa dos Guardiães da Revolução) estão por trás de todo este assunto.
E o objetivo é agravar a tensão entre os Estados Unidos, o Irão e a Arábia Saudita.
euronews – Quer isso dizer que os Sepah Qods não obedecem às ordens do Guia Supremo e que decidem sozinhos?
Ali Alfoneh – Há um enorme conflito entre o Guia Supremo e os seus homens, e por outro lado, entre os comandantes da Guarda da Revolução e os Guardiães da Revolução.
São conflitos que agravam a tensão entre o Irão, a Arábia Saudita e os Estados Unidos. Os guardiães querem confirmar a supremacía no Estado.
euronews – Como sabe, o Governo iraniano tem uma influência relativa na região. Não acha que o assassinato do embaixador dos Estados Unidos parece um pouco exagerado?
Ali Alfoneh – Sem dúvida, os Guardiães da Revolução têm muitas ramificações na região, assim como no Norte de África e não têm a mesma zona de influência nos Estados Unidos… mas o projeto de conspiração contra o embaixador norte-americano na Arábia Saudita, que é muito próximo do rei Abdullah, pode criar uma tensão sem precedentes entre os dois países, e eu acho que neste momento, é o que pretendem os Guardiães da revolução.
euronews – Como as autoridades sauditas felicitaram os Estados Unidos por ter descoberto e desativado a conspiração, não acha que isso agravou a tensão entre a Arábia Saudita e o Irão?
Ali Alfoneh – Sem dúvida, a guerra fria entre os dois países está numa nova fase, e infelizmente, este problema vai ter consequências catastróficas para a República Islâmica do Irão, o país vai ficar mais isolado.
A conspiração mostra que os esforços do Governo de Barack Obama para normalizar as relações entre Teerão e Washington fracassaram estrondosamente, e que os políticos iranianos, especialmente os dirigentes dos Guardiães da Revolução, só falam e entendem a linguagem da violência.